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Maconha na Gravidez: Até Quando É Um Problema? Saiba Tudo!

Maconha

O consumo da maconha aumenta a cada ano. A planta já foi considerada perigosa e relacionada à marginalidade. No entanto, desde a contracultura nos anos 1960, a erva quebrou barreiras e hoje chega em todas as classes sociais do mundo. A cannabis, em si, tem sido amplamente estudada, seus efeitos, substâncias, cultivo e demais assuntos. 

A maconha também alcança todos os sexos e idades, apesar disso o crescente consumo entre as mulheres grávidas têm chamado atenção de pesquisadores. Para se ter ideia, a erva é a droga ilícita mais usada durante a gestação, com um predomínio que varia entre 3 a 30% em diversas populações. 

Os efeitos de consumir maconha na gestação

As pesquisas nessa área ainda são recentes, porém, há resultados para pensar o suficiente sobre os riscos do consumo da maconha na gravidez. Um estudo feito pelo Journal of the American Medical Association (JAMA), revelou os dados analisados de uma pesquisa feita com 667 mil mulheres canadenses, que tiveram filhos com pelo menos 20 semanas de gestação, entre abril de 2012 e dezembro de 2017.

As estatísticas foram concentradas em 5.539 gestantes que fumaram maconha no período de gravidez, sendo o grupo controle de 98.500 que não consumiram nesse mesmo tempo.

Sendo assim, foi constatado que:

  1. Maconha na gravidez aumentou o número de partos prematuros: 10,2% entre as fumantes contra 7,2% entre as que não fumaram;
  1. O número de casos de descolamento prematuro de placenta aumentou de 4% no grupo controle, para 6,1% no grupo das que fumaram;
  2. Dos bebês nascidos no grupo controle, 13,8% precisaram de internação em UTIs logo após o parto. No grupo das que fumaram durante a gestação, foram 19,3%;
  1. Bebês de mulheres que usaram maconha na gestação apresentaram índices de adaptação à vida extrauterina, medidos 5 minutos depois do parto (Apgar), 28% mais baixo. Por outro lado, entre as grávidas que fizeram uso de maconha, houve 10% de redução nos casos de pré-eclâmpsia e de 9% nos casos de diabetes gestacional.

O aumento no consumo da maconha na gestação

Um dos motivos para o crescente caso de mulheres que consomem maconha durante o período de gestação está puramente nos efeitos obtidos pela erva. De forma geral, a grávidas fumar a cannabis a procura da sensação de relaxamento, para aliviar as náuseas ou mesmo porque já fumavam antes e não conseguem evitar o uso.

No entanto, os médicos recomendam que as mulheres se privam da maconha por, pelo menos, no primeiro trimestre, pois os riscos são bem maiores. 

O consumo da cannabis neste período de gestão tem sido estudado e documentado em diversos países. Dados de um inquérito epidemiológico publicado pelo Substance Abuse and Mental Health Services Administration, nos Estados Unidos, acompanhou 467 mil mulheres de 12 a 44 anos, entre os anos de 2002 e 2017. Os resultados mostraram que:

  • Entre 2002 e 2003, 3,4% delas tinham fumado maconha nos últimos 30 dias
  • 5,7% delas se encontravam no primeiro trimestre de gravidez
  • Em 2017, o número das gestantes que fumam no mesmo período subiu para 7%, dentre as quais 12,1% ainda estavam no primeiro trimestre da gravidez

O estudo concluiu que no período de 15 anos, o número de mulheres grávidas que fumam maconha nos últimos 30 dias duplicou na população de 12 a 44 anos. Da mesma forma, esse número também duplicou entre as gestantes do primeiro trimestre. 

Os perigos da maconha para o desenvolvimento do feto

O primeiro trimestre da gravidez é um período que requer bastante cuidado com tudo, pois é a fase na qual o desenvolvimento do feto é mais vulnerável às agressões externas. 

Uma pesquisa feita pela Academia Americana de Pediatria (AAP), constatou alguns perigos para a evolução do feto durante o consumo da maconha na gestação. 

O relatório clínico, “Uso de Maconha Dirante a Gravidez e a Amamentação: Implicações para Resultados Neonatais e Infantis”, publicado na Pediatria em setembro de 2018, revelou alguns efeitos para o feto e os bebês expostos ao uso da cannabis.

De acordo com o estudo, a substância química da maconha, conhecida como THC, é a grande responsável pelos efeitos psicoativos da erva. Durante a gravidez, ela penetra a placenta e pode ser prejudicial ao desenvolvimento do feto.

Em uma pesquisa acrescentada, o THC foi encontrado no leite materno até seis dias depois do último consumo. Apesar disso, sabe-se muito pouco a respeito das consequências que a cannabis pode causar ao bebê tanto no estado fetal quanto depois do parto. Contudo, há evidências de que a maconha pode ser um risco para seu neurodesenvolvimento.

Além disso, o uso da erva pela mãe durante a gravidez também pode ter resultados negativos mesmo depois do parto, pois a criança pode ter mais problemas de concentração, atenção, controle de impulsos e na resolução de situações. 

De qualquer forma, os estudos nessa área ainda são muito escassos, com poucas informações e dados com embasamento. Sabe-se pouco e várias coisas ainda podem mudar. Seja como for, todo cuidado durante a gestação é importante.

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