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Existe alguma relação entre maconha e Covid-19?

Maconha

Estudos ao redor do mundo indicam que pode haver alguma relação entre maconha e Covid-19. Ao contrário do que se poderia imaginar, evidências apontam substâncias da cannabis como aliada em potencial no combate à infecção provocada pelo coronavírus. 

Graças aos esforços de centenas de cientistas espalhados pelo mundo, hoje temos opções de vacina para a Covid-19, doença derivada do coronavírus, responsável pela maior crise sanitária mundial do século XXI.

Apesar do advento da vacina, os estudos que procuram entender os efeitos da maconha em relação à Covid-19 ainda continuam. Pesquisadores examinam a ação terapêutica da cannabis, mais precisamente das canabinoides THC e CBD no combate contra a evolução da doença no organismo.

Antes da vacina, e mesmo agora com ela, as substâncias já foram utilizadas com o objetivo de aliviar dores e reduzir inflamações nos pacientes. O canabidiol CBD consiste em um composto natural, produzido pela cannabis e com capacidade para inibir a evolução de infecções geradas pelo coronavírus.

Os testes foram realizados in vitro por cientistas da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. De acordo com eles, o extrato obteve sucesso em impedir a replicação do agente infeccioso nas células epiteliais do pulmão humano. Um dos próximos passos agora são os testes em humanos, já que esta é uma técnica simples, não invasiva e com baixo risco de efeitos colaterais.

Como a cannabis pode ajudar no combate à Covid-19

De acordo com a Dra. Ana Paula Terra, integrante da Sociedade Brasileira de Estudo da Cannabis (SBEC), revela que pacientes que usaram CBD demonstraram um reforço na imunidade, sendo seu uso ligado à uma forma de prevenção.

A médica, porém, ressalta que os resultados não significam que o CBD ataque o coronavírus, muito menos seja uma maneira de curar a Covid-19, pois ele não interfere diretamente na entrada do vírus no organismo. O uso da substância apenas melhora e eleva a imunidade da pessoa que consome.

Testes e resultados em animais

No final de 2020, Prakash e Mitzi Nagarkatti e Kathryn Miranda, publicaram um artigo na revista científica Frontiers in Pharmacology, no qual apontaram o efeito positivo da cannabis sobre a inflamação associada à infecção da Covid-19.

Os cientistas realizaram testes em camundongos manipulando dosagens de THC, administrado via intraperitoneal, ou seja, no abdômen. Os resultados foram animadores, pois mostrou a redução significativa da inflamação nos pulmões resultando na sobrevivência de 100% das cobaias.

Maria Teres Jacob é médica especialista em dor crônica e em cannabis medicinal e integrante das Sociedades Internacional e Brasileira para o Estudo da Dor e da International Association for Cannabinoid Medicines (IACM). Segundo ela, a descoberta possibilita um método alternativo no tratamento de quadros da Covid-19. 

Nos casos mais graves, a doença causa síndrome da angústia respiratória aguda o que pode provocar falência múltipla dos órgãos e, por consequência, levar o paciente a óbito. 

Em contrapartida, os estudos realizados com a cannabis, apresentam que as células imunológicas, entre as demais do organismo, conseguem produzir seus próprios canabinoides, chamados de endocanabinoides. Nesse contexto, essa seria a provável explicação para a ação dos fitocanabinoides. 

Os testes em humanos

Pesquisadores ao redor do mundo têm explorado as propriedades anti-inflamatórias do THC e do CBD. Até a publicação do artigo citado acima, os testes em humanos ainda não haviam começado, no entanto, estava fortemente recomendado.

Os testes em humanos são mais indicados para pacientes que apresentam quadro grave e estão internados na UTI. Esses, tendem a retratar altos níveis de citocinas inflamatórias e o uso da cannabis como mais uma opção de tratamento, poderia ajudar no combate à inflamação pulmonar. 

Ainda existe risco de infecção da Covid-19 para que fuma maconha?

Assim que a pandemia começou, diversos profissionais da saúde relataram que o risco de infecção era maior em pessoas com algum tipo de comorbidade. Assim como também foi apresentado um grupo de risco, por exemplo, diabéticos, asmáticos, cardíacos e afins.

Pela doença, em seu estado mais grave, afetar os pulmões, os fumantes fizeram parte desse grupo não tão restrito. Hoje sabemos que a doença pode atacar qualquer pessoa, independentemente da idade ou da condição fisiológica. Apesar disso, os fumantes continuam na lista de risco.

Sendo assim, as pessoas que consomem maconha têm dúvidas sobre como fica sua situação. Afinal, se a cannabis pode combater a infecção, como fumá-la pode ser ruim?

Acontece que, muita gente tem o hábito de dividir o beck e, em tempo de coronavírus, essa tradição está temporariamente suspensa.

A Dra. Ana Paula Terra alerta para o risco de infecção na prática popular, visto que a Covid-19 é transmitida via fluídos. Portanto, fumar a verdinha não está proibido, contudo, por enquanto tocar o barato precisa ser um momento individual, para garantir a segurança de todos.

Inclusive, a procura pela maconha aumentou durante a pandemia, dentre os demais motivos, o aumento na imunidade é um dos fatores. 

Enquanto a pandemia infelizmente continua, cientistas de vários países continuam com os estudos a respeito da relação entre a maconha e a Covid-19. Bem como o avanço do tratamento com THC e CBD em humanos. Muito provável que em breve teremos mais novidades.

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